domingo, 12 de julho de 2009

“Vinho Seco” na Madeira (Produtores Directos e Híbridos)

Há uma enorme confusão e desinformação nos que se interessam pela área do vinho relativamente à temática acima referenciada, especialmente relevante na Madeira face ás recentes evoluções e "des-evoluções". Assim vou tentar esclarecer alguns termos e factos:

Híbrido – cepa obtida pelo cruzamento de duas variedades. Aplica-se ao clone gerado e a todos os que derivam dele. Os vinhos de qualidade obtêm-se de Vitis vinífera, vide europeia ou mediterrânica. Existem outras espécies chamadas “americanas”.

Vinhas Americanas – crescem em estado silvestre no continente americano, muito resistentes às doenças nomeadamente a filoxera – Vitis labrusca, Vitis Riparia, Vitis Berlandieri etc… Pelo cruzamento de vitis vinífera com vinhas americanas, obtêm-se dois tipos de Híbridos:
Produtores Directos – muito produtivos e resistentes à filoxera, dão vinhos de fraca qualidade com aromas e gostos estranhos, grande percentagem de metanol e malvidina (pigmento corante tóxico)
Porta Enxertos ou “cavalos” – quando os híbridos servem apenas de suporte ao “garfo” de Vitis vinífera que irá ser enxertada, aumentando a resistência da planta vinífera que irá frutificar.

Origens e História


Em 1852, a Madeira sofre a primeira grande crise na viticultura devida ao “oídio” (mangra), qual destruiu 90% da produção da Ilha. Introduziram-se na ilha variedades americanas, sobretudo “Isabela”, mais resistente à doença. Ironicamente, com elas introduz-se na Madeira a Filoxera, qual 20 anos depois, devasta os vinhedos da Ilha em 1872. Das castas americanas introduzidas para porta enxerto, prosperaram algumas variedades não enxertadas com vinhas europeias e que constituíram grande fonte de rendimento para a agricultura da Ilha, dada a sua fraca exigência, grande produtividade e resistência às doenças.
Destas, nascem e enraízam os chamados “vinhos secos”, com níveis elevados de acidez e álcoois superiores (muito tóxicos). Cultural e economicamente pobre, a população imediatamente passa a consumir este tipo de vinho e cria a “tradição”. O tipo e a confecção da alimentação com base numa gastronomia, de fonte proteica, (carne e peixe) conservadas em vinagre e sal atenuavam o efeito da acidez dos vinhos. Dos produtores directos que prosperaram destacam-se o Jacquet, Herbemont, Cunningham (Canim), Isabela (morangueiro ou americano).

Vinho Seco – produzido a partir de produtores directos. Seco porque tem um fim de boca curto, acídulo associado a baixo grau alcoólico dá a sensação de não ter açúcares residuais. Excluindo o Jacquet, normalmente é um vinho de baixo grau e cor rosada a casca de cebola cujo grau é incrementado na fermentação pela adição de açúcar. O Jacquet produz um vinho retinto e de grau elevado, muitas vezes misturado com outras castas de menor grau para atenuar a sua adstringência.


Efeitos sobre a saúde


Interdito pela união europeia, pela presença de malvina que lhe dá um tom violáceo, tem efeitos nefastos sobre o sistema nervoso. Também pela elevada quantidade de metanol produzido, devido à película ser muito rica em pectina, qual desdobrada pelos enzimas durante a fermentação, produz metanol em elevada percentagem, causando graves danos na visão.

Francisco Albuquerque

3 comentários:

Hugo Pascoal disse...

Vários exemplares de "Vinho Seco" Madeira, suas características e preços (por sinal bem atrativos):

Vinhos Madeira Secos e Meio Secos

Luís Johnson disse...

Caro Hugo, esse link está com algum erro mas, aproveitando a sua mesma fonte, aqui segue um belo exemplar que não me importava nada de adquirir:
Vinho da Madeira Seco

Um abraço a todos!

Paixão do Vinho tel: 291010110 disse...

"Vinho Seco" chamado também "Vinho a Martelo" não tem nada a ver com "Vinhos Madeira Secos", ver último paragrafo do artigo, são prejudiciais á Saúde ...

 
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